O filho mais velho do ator Pedro Lima, João Francisco, quebrou ontem, 4 de janeiro, pela primeira vez o silêncio sobre a morte do pai numa entrevista muito emotiva com Júlia Pinheiro que não deixou ninguém indiferente. Recorde-se que Pedro Lima terá cometido suicídio por se encontrar com uma grave depressão.

É um choque, é um trauma muito forte", disse João Francisco. "Não estou bem e sinto-me bem em não estar", diz, explicando que "a honestidade" é para si o caminho que pode ajudar a superar a dor.

"Estou triste, tenho um sentimento de falta muito grande... De saudade, como é óbvio. Mas estou a tentar continuar no foco, no sítio certo […] A única coisa que eu posso tirar daqui é aprender com o que aconteceu e tentar reagir da melhor forma possível. Isto foi sem dúvida uma coisa que nos traumatizou a todos, mas ainda tenho uma vida toda pela frente e não me posso deixar limitar", defende, assumindo que procura criar momento de alegria e não tem medo de o admitir.

"Estou a ter acompanhamento. Tenho consultas com uma psicóloga semanalmente. Todos nós estamos a ter", refere, fazendo questão de normalizar esta ação. Além dele, os restantes irmãos e madrasta (companheira de Pedro Lima) estão também a receber acompanhamento psicológico.

Questionado sobre os últimos tempos de vida do seu pai, João Francisco afirmou que sentiu nos últimos tempos que o pai estava em sofrimento, algo que o próprio chegou a admitir em conversas mais intimas. "Sentia e não só sentia como ele partilhava comigo. Ele dizia que estava triste, que se sentia preocupado, que estava desanimado".

Apesar de se assumir como um irmão protetor, João Francisco não quis, nem quer, assumir o papel de chefe de família. "Não sinto de todo essa pressão", diz, referindo que todos têm o papel de se ajudarem uns aos outros.

A dor é ainda muito recente e as lágrimas são uma constante, mas prevalece a certeza de ter vivido todos os momentos ao máximo com o pai.  "Relembro o meu pai sempre com um sorriso e sem qualquer tipo de culpas. Se há coisa que eu sei é que os momentos que tivemos, enquanto os tivemos, foram vividos ao máximo e que não ficou nada por fazer", garante.

João Francisco quer agora assumir-se como uma voz ativa no debate para a normalização da saúde mental. “Esta entrevista foi apenas o primeiro passo para que todos consigam entender que uma pessoa deprimida não é fraca. É uma patologia e tem de ser vista como tal", terminou.

Neste momento, João Francisco, com 22 anos, encontra-se a estudar marketing em Roterdão, na Holanda. Uma decisão que já estava tomada antes da morte do pai, em julho deste ano, e que não hesitou em manter.

"A melhor forma que temos na vida de aprender a lidar com as coisas que nos vão acontecendo é mantermos o nosso percurso", afirma, passando a explicar o que mudou na sua vida desde a perda do pai.

"Acho que a principal diferença é que eu me tornei uma pessoa mais virada para mim, mais preocupado comigo", conta, explicando que não deixa de se preocupar com os seus, mas que passou também a dar importância às suas preocupações.