Quase sete anos depois da final do "Rising Star: A Próxima Estrela", a TVI volta a apostar num talent-show, com anónimos. "All Together Now" é uma aposta promissora para um canal que, nos últimos meses, tem vindo a procurar reconquistar o coração dos portugueses.  

O novo formato que irá ocupar, em breve, o mais importante horário da televisão portuguesa é, acima de tudo, uma prova. Ou seja, um teste do que a TVI consegue oferecer aos portugueses, ao domingo à noite, sem ser os programas que, infelizmente, já não trazem nada de novo.

De julho de 2014 a janeiro de 2021, a TVI ofereceu, quase sempre, os mesmos géneros de formatos e os mesmos títulos. Durante este período, não fomos nada surpreendidos, nem mesmo com o "Pesadelo na Cozinha". Obviamente, com o desleixo da estação de Queluz de Baixo, a SIC, com uma boa estratégia da sua direção de programas, conquistou a preferência dos portugueses.

Daniel Oliveira e a sua equipa meteram mãos à obra e, muito bem conseguida, criaram uma oferta diferenciadora ao que, em tempos, eram as noites de domingo. Dos talents-shows que marcaram a televisão, o canal de Paço de Arcos começou a apostar em reality-shows, com abordagens diferentes as do seu concorrente direto. No entanto, não fica por aqui e, atualmente em exibição, consegue-nos brindar com "A Máscara".

O que pretendo dizer com esta comparação estratégica é simples. A TVI pode, obviamente, continuar a apostar em formatos como, por exemplo, "Big Brother". No entanto, não será necessária nem recomendada três edições, umas atrás de outras. Ou seja, é importante que o canal de televisão, cuja alçada de entretenimento e ficção está entregue a Cristina Ferreira, tenha capacidade de conseguir oferecer outro tipo de formatos.

Por falar no nome de que toda a gente fala, importa salientar que, até prova do contrário, Cristina é a escolha certa. Polémicas à parte, para um formato promissor, uma apresentadora à altura. Num outro campo não tão irrelevante, é a escolha do estúdio ou, neste caso, do palco do "All Together Now". "2500 metros quadrados de estúdio. Altice Arena. O talento do país na maior sala de espetáculos", revela Cristina Ferreira, numa publicação nas suas redes sociais.

Provavelmente, não fosse a pandemia, o novo formato, de domingo à noite da TVI, não teria como cenário o Pavilhão Atlântico. Neste palco, os concorrentes vão cantar perante "um grupo de 100 diferentes nomes do entretenimento e do mundo do espetáculo", detalha a sinopse. "As interpretações mais marcantes farão com que esses cantores se levantem e comecem a participar na audição. Quando todos cantarem em conjunto, a interpretação ficará ainda mais arrepiante", acrescenta.

Outro momento que promete surpreender é quando Cristina Ferreira pedir a opinião dos 100 jurados. "É aqui que entra a divertida interação entre as diversas opiniões, respostas e onde as personalidades se destacam", explica a sinopse.

O formato inglês, estreado em 2018, pela BBC, e adaptado em mais de 15 países, tem todos os ingredientes para ser um sucesso em terras lusas. A mecânica de competição, a apresentadora e o palco são três pontos positivos. Resta-nos, ainda, saber quem serão os 100 jurados.

Para terminar, a resposta à questão do título deste artigo. O que podemos esperar de "All Together Now"? Basicamente, e independentemente dos resultados das audiências, espera-se a maior aposta de entretenimento da TVI da última década. E, acima de tudo, que este seja o início de um caminho para um outro tipo de oferta televisiva que não seja apenas reality-shows.