Rosa Villa, na passada terça-feira, dia 12, marcou presença no programa da tarde de Manuel Luís Goucha, dedicado a histórias de superação.

Numa conversa marcada pelas recordações, a atriz fala sobre as fases mais negras da sua vida.

Rosa, que começou a carreira ainda adolescente, chegou a uma altura que estava sobrecarregada de trabalho e o cansaço levou-a ao descontrolo. Aos 30 anos acabou por entrar no mundo da droga.

"Estava muito cansada, tinha conhecido uma pessoa que vendia [cocaína] e decidi comprar e experimentar".

Pouco tempo depois da primeira experiência, a cocaína já se tinha tornado um vício.

Fotografia Vip

Mas agora, com 57 anos, vê as drogas com outros olhos.

"As drogas são uma primavera muito cor-de-rosa de início, muito rapidamente é um inverno tenebroso do qual não consegues sair, é uma prisão".

A exaustão e a dependência impediram-na de conseguir trabalhar sem o extra da cocaína. "Durante 16 anos precisei de uma muleta para trabalhar porque andava muito cansada e no fundo essa muleta partiu".

Começou a perder a concentração e tornou-se difícil trabalhar. Por isso, decidiu pedir ajuda.

"Olhas-te ao espelho e não te conheces. Tens uma atitude com alguém e não és tu. Telefonei a uma grande amiga que faz anos no mesmo dia que eu. Disse-lhe: 'Não me estou a aguentar e quero que me internes, porque senão eu mato-me'".

Rosa esteve internada 3 meses e conseguiu combater o vício. Mas, depois de quatro anos limpa, voltou a afundar-se. Dessa vez, no álcool. E a atriz considera que este vício é mais difícil de combater "porque é socialmente aceite".

Fotografia Flagra

Acabou por ir para novo tratamento. Depois de 28 dias internada conseguiu tratar o alcoolismo.

Esta conquista a atriz também a deve à família, aos amigos e aos seus terapeutas que tanto a ajudaram e apoiaram.

À seis anos afastada dos vícios afirma que teve de aceitar que não pode abrir mão da sua saúde. "Foi uma aceitação que eu tive. Eu não posso utilizar drogas, eu não posso beber álcool porque a minha condição não aceita".

Rosa Villa aproveita ainda para fazer um apelo a todas as pessoas que estão a passar pelo mesmo que ela passou. "Não tenham vergonha de pedir ajuda. Se têm esses problemas peçam ajuda".

A atriz confessa também que está sem trabalhar à dez meses. Os únicos apoios financeiros que tem recebido são da Fundação Gulbenkian, da Câmara Municipal e da família.